quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

You're so fucking special

 as vezes tenho pena de mim

sentada na cama com um notebook a mão. desiludida e perdida. 

sem saber se é competência ou a sua falta

mas pensar em que tudo pode ser estrutural

estatisticamente falando 

e você - eu

não especial

somos mais uma, engordando 

sendo sombra

valorizada 

mas ainda

digna de pena

por tudo que perdeu

e não correu atras para pegar 

se deixou a deriva e hoje não sabe onde esta

mas sente o motor

que acha que pode ser diferente

talvez eu seja especial. 


ana carolina ~~

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

A gostosa da rua Ana Neri

 A gostosa da rua Ana Neri está de viajem, no retorno para si. Agora, mais forasteira do que íntima, se dedica a vontade de voar. E conhecer. E experimentar. Deliciar-se com aquilo que já existe e já foi provado. Morder a maçã. Envenenar-se. 

Ser quem cura, sustenta e levanta. Ponta de lança. Guerreira. 

ana carolina~~

segunda-feira, 7 de abril de 2025

A delícia do tempo

 Saber esperar o tempo passar . Sem pressas ou amarras. Ver a vida acontecer no seu íntimo, naquilo que é feito e feio, nas entranhas. 

No trago doce da flor, no sorriso de um menino, no dia a dia mais comum. Saber pausar. 

Depois da travessia o mar não é tão bravo. 


Carola~

sábado, 26 de outubro de 2024

"Eu só posso ter chamego com quem me faz cafuné"

 Hoje eu só quero escrever, para esquecer as mágoas e transbordar meu coração. Hoje eu só quero escrever e alinhar meus chacras e as expectativas. Hoje eu só quero escrever e vomitar nessas palavras todo o meu sentimento. Hoje eu estou cansada mas preciso escrever. Preciso falar, mesmo que ninguém me ouça.

Hoje eu quero dizer que eu sinto falta de tantas coisas. Parece que no meu retorno eu percebo que nada mais habita aqui, ou habita diferente no indiferente. E o que indefere parece ser seu, e eu sinto que não tenho mais um colo para chorar. Tenho outros, mas tem todos tem me dado o carinho. E eu me sinto de certa forma só. 

Ai, eu preciso escrever. Para não ter que falar. Para não lançar a seta que muda os destinos, mesmo que aos poucos. E assim eu vou, de um jeito diferente, nesse 26 de outubro. 


ana carolina ~~ 


quarta-feira, 8 de maio de 2024

Bete capota, meu amor.

Cazuza disse "quem vem com tudo não cansa"
eu cansei 
balancei e sigo capotando, meu amor.

[anacarol

quarta-feira, 17 de abril de 2024

Você (ou eu) não entende nada.

 Será a minha condição econômica que esta afastando as amizades? Será que a resposta diz mais sobre eles do que sobre mim? Talvez, não sei. Não tenho certeza dessa régua moral, talvez estejamos todos nos "nossos corres", escolhendo onde é melhor correr. Individuais mas sempre acompanhados de quem não tem filhos, e tem cartões, e um mundo de possibilidades para oferecer. 

Será a minha tristeza que tem afastado das relações? Ou meu filho e sua rotina? Ou meu filho e suas viroses? Ou meu filho que me faz ser mãe? E me faz gostar de ser mãe, e de cuidar, e de zelar. A resposta diz mais sobre eles do que sobre mim? A culpa não é minha por não ser mais mulher? Mas eu não sou tão mulher como tantas que fazem a roda da sociedade girar? Mulher como a mãe deles, que acorda cedo e coloca o café na mesa.

Fico tentando entender, entre culpas e martírios. Entre rezas e racionalismos. Lendo e me fazendo interessante, tentando equilibrar. E enquanto isso já arrumei toda a casa e organizei a rotina. Lembrei o remédio, da roupa, do lanche. Já beijei, transei, fumei, bebi, sorri. Me esqueci de todo vazio de dentro, do sentimento de estar perdida. Me entupi de rotina e amores familiares. 

Esse texto talvez não diga nada, ou  diga mais sobre mim, do que dos outros. Mas não quero julgamentos, só quero dar o fora. Você não entende nada e nem eu. 

ana carolina ~~

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

viagem solitária

 Semana passada não fui a terapia, mas muitas coisas ecoaram dentro de mim.
Da chama ao gelo que queima a pele, a minha carne padece, minha mente me domina. Quero ser livre e voar. Mas eu não tenho jaula. Quem me prende? Por que me prendo? 

sou única e sou tantas, que vieram antes e que virão após. 

Me sinto inteira
forte
Me sinto par-
tida

es-

ti-

lha-

ça-

da

e pronta para seguir

[anacarol

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Agenda

 Não tenho compromisso
mas vejo o marcar do tempo
que voa

e não anota. 

[ana carolina~~

quarta-feira, 31 de maio de 2023

MOM

Fugi de casa
e não deixei recado
Também não sou procurada
quem quer saber de mim?

[anacarolina


quinta-feira, 11 de maio de 2023

Se eu quiser falar com Deus

Tem dias que me sinto pequenina, como um grão de areia. É um sentimento recorrente diante da vida na natureza. Afinal, na imensidão de gaia e seus fluxos, quem somos nós?

Tem duas que me sinto pequenina, como um amassado de papel. É um sentimento recorrente diante da grande máquina de moer gente, ou sonhos. Afinal, estamos no capitalismo, e quem falou que tudo é para todos?

Tem dias que me sinto e mastigo a minha pequinês. A sua dor e angustia. 

Tem dias que de tão pequenina, não sinto. Anestesiada esperando a dormência passar.

Tem dias que... como hoje, não cumpre com o planejado. E você se sente minúscula, impotente e incapaz.

Os passar dos dias necessitam de resiliência e coragem. Calma e paciência. Auto cuidado e amor. Alegria e lágrimas. Passos firmes e corpo voando. .

Me lembrar de quem eu sou. 


[ana carolina~~~~ s.o.s



terça-feira, 28 de março de 2023

"O melhor lugar do mundo"

 Da ansiedade que complica
O chá que espairece

Dos dias que se assemelham
O tempo que voa

Do tédio harmónico
O companheirismo que transborda

Da solidão estarrecedora
Amar-se é chuva 

A terra que a semente germina
"é o aqui e o agora".

ana carolina~~

Cada dia mais um encontro com Gilberto Gil <3

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Prazer, Ana Carolina.

 Depois de um ano, daqueles que "abalam o mundo", sento na frente do computador e decido escrever. Primeiro tentar atualizar tudo que anotei de forma fragmentada, curiosamente, achei quase nada, mas ok! Já aprendi que temos que levar a vida na esportiva, porque levar tudo tão a serio? Tenho tantos episódios engraçados para contar e, já adianto (para eu mesma do futuro) que esse "post" não será como os de rotina, hoje vai rolar mais um desabafo talvez, não sei. Porque queremos sempre saber de tudo mesmo?

Bom voltando, ou iniciando, queria dizer que ao sentar aqui eu também me dediquei um tempo para revisitar tudo o que escrevi e... uau, que mulher foda que eu sou!!! Modesta parte, ou sem modéstia, foi bom pra caramba reencontrar essa Carolzinha de outrora, mesmo que melancólica, bolada, apaixonada, infantil... como eu sou boa em escrever!!! Em pensar que já achei o contrário. 

Também gostaria de registrar como é bom ter o nenê dormindo e o mozones na rua, e estar sozinha, aqui, vivendo esse momento. Momento que achei que nunca chegaria, e como eu me atropelei por isso e por tantas outras coisas. O tempo é o tambor de todos os ritmos, já disse Caê, e as vezes esqueço.

Mas assim, voltando (hoje eu quero abrir muitos parentes), mesmo encontrando essa carol, que eu tinha até esquecido, eu queria dizer que hoje eu me sinto como se tivesse chegado no topo da montanha. Talvez não a maior que eu vá escalar na vida, mas de uma bem legal que da pra ver o mar ao fundo. Não que eu tenha já subido em alguma montanha, não sou esportista! Mas eu sinto que passou, a nuvem passou e o sol abriu. Estranho que parecia que não, mas foi, passou! 

E eu voltei. 

Voltei com um filho e novas responsabilidades. Voltei com a libido, a sacanagem e a certeza da safada gostosa que sou. Voltei com vontade de fazer e aprender coisas novas. Voltei a me sentir "eu", mesmo já sendo uma outra versão. E eu voltei com todos os "mas" que a vida me permitir, porque dialética é isso, negação e síntese. E eu sou um furação. You don't now me.

Essa sou eu de novo. Prazer Ana Carolina. Ana Marley, Ana Kitkit, Carol, Carola, Carolina Jhones, Carolina Filth, Carolina Cantuaria, mãe do Ravi Caetano. 

"Respeito muito minhas lagrimas, mas ainda mais a minha risada"

ana carolina ~~ daqui de cima, do alto da montanha, no mar ensolarado, no esplendor de um novo dia. 

PIISCES - copilados de uma nova década

 E eu que fiz 30 anos e não me digeri? E as noites não dormidas que ainda não consegui chorar? E o corte na carne, no ventre, nos seios?

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engolindo a vida
as perspectivas
os projetos e planos

mastigando os dias
lentos e intensos
como um cigarro que queima
e te mata

defecando ansiedades
transtornos
e instabilidades

mas sigo bem nutrida
pelos risos que me acompanham. 

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sempre em edição
vou encontrando as palavras no caminho.


ana carolina ~a mãe ~ 2022

domingo, 19 de dezembro de 2021

30 semanas e um dia.

 Me conhecendo por alto, por dentro, pelo avesso. Me reconhecendo nos detalhes, no comum, pelo genoma, por semelhança. Me deliciando eu mesma, com os dedos, lambendo os defeitos. 

Eu por mim, nas entranhas, nas palavras, no som e lagrimas. Eu por nós, no sangue, oxigênio e nutrição. Eu por todos, nos erros e cansaços. 

Andei na escuridão e me achei. Andei pelas ruas e me perdi. Saudade de tudo que já vivi, de quem fui e sou. Saudade de querer voltar o que ainda é. Sou mas na contradição do novo. 

Reaprendendo a dar os primeiros passos. Soltando as primeiras palavras. Escutando os sons. Descobrindo o que me pertence. Novas formas de pentear o mesmo cabelo. 

Construindo base solida para as destruições completas. Fincando raízes para as grandes tempestades que virão, com longas ondas, com naufrágios, com afogamentos, sem cabelos a segurar. 

Plantando na minha terra o que vou me nutrir amanha.
E assim será
em todas as estações. 


domingo, 24 de outubro de 2021

Ravi

Ligados pela carne, corpo, ventre e alma.
O sol que surge em um horizonte que eu ainda não sei o que é.
Um menino que habita no meu ser mulher.
Ser mãe.
Sua mãe e você meu filho. 


ana carolina~~

domingo, 12 de setembro de 2021

O velho de partida

 Se a vida é movimento, eu não vim pra ficar parada. Inerte. Estou parindo o novo que me vira ao avesso. Por que temer? Saber do futuro nunca saberei, nele eu ainda não sou e nem tenho porque ser. Gestar a libertação e não a prisão ao passado, dele eu nada mais serei, nele eu ja fui. Tomo do desconhecido a minha coragem. Dos órgãos que aqui pulsam e bombeiam sangue eu seguro a certeza. Eu seguirei, em outros trajes, o meu trajeto. Do novo que germina, do eu que transforma. Tenho medo, mas quem nao tem? 


Ana carolina ~~

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Um mês depois

 o meu destino é uma imprecisão, como quando o caos se estabelece e se derrama pelas janelas.
 Nenhum encontro é em vão, quando a primeira peça cai

e arrasta as outras, como em um dominó




"Alguma coisa aconteceu, do ventre nasce um novo coração"

Teria na caderneta, no bloco de notas, no meu grupo solo do whatsapp e talvez nesse blog inúmeros textos. Dignos de todos os likes, por ultrapassar a densidade dos dias e me extrapolar por inteira. Mas eu, sempre reservada, sempre explicita, guardei tudo talhado na minha memória. É que eu estou esperando virar a chave, e como pisar em falso, tudo mudar. Sem despedidas e sem sentimentos. Sem saudades e sem melancolia. Até lá vou amargando as lembranças e as palavras, na minha boca de cica. Pensando em tudo que não deu pra ser, por toda inconsequência perdida no caminhos e nos excessos tão deleitados. No último trago. Forço a chave para que ela vire, será que isso é gestar? Ou parir? Quero quebrar a chave e girar porra nenhuma. Mas mesmo eternamente a porta impedida de abrir, a minha casa já é outra. Virei morada, invadida, ocupada, atravessada, violentada. Todas as mãos passam por mim, todas as vozes e opiniões, ecoam chatíssimas sobre o meu corpo. Descarto chaveiros ou passaportes do patriarcado, sigo insubmissa. Porém continuo morada, de algo que vai me transbordar, sair das minhas entranhas e seguir seus próprios passos e caminhos. E eu, ainda desconhecida por mim, tenho também trilhas a subir, desejos a arder. Só que eu ainda não sei, nunca provisionei esse futuro. Como uma galinha paciente, estou chocando o que serei amanha. Chocada. 

[ana carolina ~~