Descobrir as certas sutilezas diárias, em seus hábitos escondidos, desabrocharem como um botão de uma rosa, que você rega, que você cuida, e que de repente floresce. Cortar as cebolas ao som do celular, tomando um copo de cerveja e tragando o silêncio de estar sozinha. Tomar um chá quente no final de um dia corrido e escrever as suas obrigações ao som dos prazos, que não são seus aliados, mas te dão o norte. Fumar as ervas divinas, tão finas, misturadas com as toxinas que só um produto ilegal pode oferecer; deitar e amar. Amor camarada. Amor que sai das cobertas e se alonga na frente do espelho. Amor que desce as escadas e faz o café, volta para o quarto, e rega as plantas filhas de um quarto bem amado. Amor que se descobre nas noites, aflita, agitada, agoniada. Amor que tem dúvidas, que se cobra, que se permite, que ultrapassa dentro dos seus próprios limites. Impostos. Sem democracia, com muita história, daqueles que deram o sangue, o sêmen, o ventre, a vida.
Descobrir individualidades na trajetória coletiva. De ser, poder e desejar você. Desejo selvagem. Desejo, do novo, do aprender, de iluminar o desconhecido. Desejo de desenhar a noite, vendo o molde na internet. Desejo de se tocar e sentir arrepios. Desejos de intensidade transformadora. Desejos que provocam fotofobia pra quem vê sem os olhos certos. Desejos que só se realizam plenamente no coletivo, no caminho de volta, sem volta, para dentro de si. O individual também é o outro e pro outro ele volta expandido como a aquarela no papel.
Descobrir que o dia quando amanhece ainda é noite. E que na noite podemos ser dia, e sonhar. E eu amor-desejo-sonho a todo instante. Mas aprendo a todos os dias uma forma diferente. A cada década uma grande descoberta. A cada fase um pouco mais profundo chega a minha mão ao centro da terra. E nos mergulhos, que há muito eu não dou, eu sinto a mesma alegria adolescente de ouvir um artista novo, de um estilo ousado. Nas tempestades que caem em alguns dos dias, eu me molho com o mesmo sorriso da infância, curiosa, aprendendo a ler. Nos vendavais que cercam a minha vida, envergo, quebro e me colo, andando saltitante por ai.
Descobrir que a maturidade, mesmo parida, segue desnuda esperando se alimentar.
"Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer nada./À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.". (Fernando Pessoa)
[ana carolina~~]
segunda-feira, 8 de julho de 2019
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Mar em ebulição
Enquanto a cafeteira passa o café eu gostaria de te falar umas coisas, confessar o que reside nas profundezas do meu mar quente.
São muitos os sentimentos que residem em mim, que realizam os ciclos de acordo com a lua, mas diferente da natureza, tenho um quinto prisma gravitacional que converge todos os rios que me habitam. Em tempos de turbulência, as vezes os astros se alinham de forma esquisita, nê? o meu planeta terra, essa casca negra linda sedosa, dourada no verão, começa a dar umas tremidinhas, o meu mar fica de ressaca, revolto, doido para levar alguém pro seu fundo, ao mesmo tempo que não consegue ficar comportado dentro dos seus limites, e eu choro.... como quem transborda a água em um copo.
Um minuto de pausa. Pronto. Voltei com meu café em uma xícara.
Atualmente os planetas andam se alinhando de forma adversa, confusa e caótica, a minha terra ta de cabeça pra baixo e o meu mar entrou em ebulição. Todos os meus rios juntos como um milkshake de morango desembocando na ressaca, que já transbordou. Nesse cenário, o barquinho que dentro desse meu sistema complexo, de planetas, rios, mares, sorvetes, luas e prismas, veleja com bravura e coragem, como quem pode brigar com os moinhos. Hoje meu barquinho ta perdido, mesmo não derretendo as altas temperaturas. Ta desgovernado, mesmo se mantendo a esquerda. Ta enlouquecido, porque tem dias que é sol, churrasco e lazer, e tem dias que os monstros marinhos tentam o afundar.
Mas o que ninguém sabe, e é esse o segredo, é que o meu barquinho tem uma raiz! Que se move, é claro! mas que figuradamente esta fincada no chão, na força. Como uma flor de lótus, ou uma vitória régia, que não é tão chique, mas cumpre a mesma função figurativa.
Agora, calma. Respira, porque vai ficar romântico.
Nessa confusão toda de terra Carolina, que é um mar, que está pelando e queimando os dedinhos, com o planetário todo invertido a espera do segundo sol. Tem você, que é outro universo, de outra natureza, que pode ate ser similar, mas difere. Você que é lindo demais, e tem esses olhos de felino, acho inclusive que a sua metáfora é da floresta, do caçador, da sedução... Você, a quem dedico esse texto maluco, esta em contato com esse meu mundinho diferente e um tanto curioso.
Eu posso dizer que você está sendo um ótimo explorador, respeitando quando não entende. Cuidando quando compreende e dando beijinhos ao acordar. Eu sei que no começo era só verão, meu mar tava translucido como os de arraial do cabo, brisa leve, mata verde. E, agora, nesse contato diário, da pra perceber que não é só o verão a estação que comanda meus meses. Mas também não é só pesadelo. É os dois, as vezes no mesmo dia. E nesse embrulho todo, eu só rezo pra minha deusa interior, que opera os fenômenos misticos da minha vida, que o meu segundo sol venha, e que você seja um leão, rei da selva, que vença os meus desafios, e que me coma no final - não falei como.
Nesses cinco meses de amor companheiro dia-a-dia, meu barquinho sem direção segue sem medo, de mãos dadas, cuidando das filhas flores. Meu mar em chamas, segue conturbado, mas com a certeza que tem um colinho pra transbordar. O meu amor, sempre tão intenso, segue certeiro no futuro, nesse que nem sei se vai existir, mas que tem que existir, porque eu já decidi que quero compartilhar a minha vida com você. Quero ser a sua caça. Quero ser a feiticeira das suas noites. Quero desaguar na sua costa. Me rolar na sua areia. Construir castelos e ir no mercado nos dias de promoção com você. Jogar conversa fora e tomar uma cervejinha. Te dar muitos beijinhos e fazer juras malucas de amor. Quero te beijar nos lugares mais inusitados, tudo sem pudor. Quero estudar e me desesperar com você. Vibrar pelas nossas vitórias. Ficar com ciumes e reclamar no seu ouvido. Quero te ouvir falar do funcionamento do teu intestino. Fazer o almoço e lanchar na janta. Quero ter filhos, meio caçadores meio tempestade. Quero ter uma geladeira só nossa.
Quero segurar as suas barras e te dar a segurança que tenho hoje com você. Obrigada por dividir a vida comigo. Obrigada por passar as turbulências comigo.
Eu te amo todos os dias.
[ana carolina~]
São muitos os sentimentos que residem em mim, que realizam os ciclos de acordo com a lua, mas diferente da natureza, tenho um quinto prisma gravitacional que converge todos os rios que me habitam. Em tempos de turbulência, as vezes os astros se alinham de forma esquisita, nê? o meu planeta terra, essa casca negra linda sedosa, dourada no verão, começa a dar umas tremidinhas, o meu mar fica de ressaca, revolto, doido para levar alguém pro seu fundo, ao mesmo tempo que não consegue ficar comportado dentro dos seus limites, e eu choro.... como quem transborda a água em um copo.
Um minuto de pausa. Pronto. Voltei com meu café em uma xícara.
Atualmente os planetas andam se alinhando de forma adversa, confusa e caótica, a minha terra ta de cabeça pra baixo e o meu mar entrou em ebulição. Todos os meus rios juntos como um milkshake de morango desembocando na ressaca, que já transbordou. Nesse cenário, o barquinho que dentro desse meu sistema complexo, de planetas, rios, mares, sorvetes, luas e prismas, veleja com bravura e coragem, como quem pode brigar com os moinhos. Hoje meu barquinho ta perdido, mesmo não derretendo as altas temperaturas. Ta desgovernado, mesmo se mantendo a esquerda. Ta enlouquecido, porque tem dias que é sol, churrasco e lazer, e tem dias que os monstros marinhos tentam o afundar.
Mas o que ninguém sabe, e é esse o segredo, é que o meu barquinho tem uma raiz! Que se move, é claro! mas que figuradamente esta fincada no chão, na força. Como uma flor de lótus, ou uma vitória régia, que não é tão chique, mas cumpre a mesma função figurativa.
Agora, calma. Respira, porque vai ficar romântico.
Nessa confusão toda de terra Carolina, que é um mar, que está pelando e queimando os dedinhos, com o planetário todo invertido a espera do segundo sol. Tem você, que é outro universo, de outra natureza, que pode ate ser similar, mas difere. Você que é lindo demais, e tem esses olhos de felino, acho inclusive que a sua metáfora é da floresta, do caçador, da sedução... Você, a quem dedico esse texto maluco, esta em contato com esse meu mundinho diferente e um tanto curioso.
Eu posso dizer que você está sendo um ótimo explorador, respeitando quando não entende. Cuidando quando compreende e dando beijinhos ao acordar. Eu sei que no começo era só verão, meu mar tava translucido como os de arraial do cabo, brisa leve, mata verde. E, agora, nesse contato diário, da pra perceber que não é só o verão a estação que comanda meus meses. Mas também não é só pesadelo. É os dois, as vezes no mesmo dia. E nesse embrulho todo, eu só rezo pra minha deusa interior, que opera os fenômenos misticos da minha vida, que o meu segundo sol venha, e que você seja um leão, rei da selva, que vença os meus desafios, e que me coma no final - não falei como.
Nesses cinco meses de amor companheiro dia-a-dia, meu barquinho sem direção segue sem medo, de mãos dadas, cuidando das filhas flores. Meu mar em chamas, segue conturbado, mas com a certeza que tem um colinho pra transbordar. O meu amor, sempre tão intenso, segue certeiro no futuro, nesse que nem sei se vai existir, mas que tem que existir, porque eu já decidi que quero compartilhar a minha vida com você. Quero ser a sua caça. Quero ser a feiticeira das suas noites. Quero desaguar na sua costa. Me rolar na sua areia. Construir castelos e ir no mercado nos dias de promoção com você. Jogar conversa fora e tomar uma cervejinha. Te dar muitos beijinhos e fazer juras malucas de amor. Quero te beijar nos lugares mais inusitados, tudo sem pudor. Quero estudar e me desesperar com você. Vibrar pelas nossas vitórias. Ficar com ciumes e reclamar no seu ouvido. Quero te ouvir falar do funcionamento do teu intestino. Fazer o almoço e lanchar na janta. Quero ter filhos, meio caçadores meio tempestade. Quero ter uma geladeira só nossa.
Quero segurar as suas barras e te dar a segurança que tenho hoje com você. Obrigada por dividir a vida comigo. Obrigada por passar as turbulências comigo.
Eu te amo todos os dias.
[ana carolina~]
segunda-feira, 29 de abril de 2019
A mãe que me guia, o pai que me protege e o meu santo guerreiro: a força que habita em mim.
Tenho pensado nessa escrita desdo dia 23 de Abril. Nesses dias quentes, em que a infelicidade floresce, deixando você na dúvida se é culpa da TPM, da rotina ou algo mais grave e profundo da sua psiquê. Hoje eu cheguei no ponto auge, estourado o termômetro do senso entre sanidade e loucura; rasgando meu peito, fazendo listas mentais de tudo o que não gosto na minha rotina e do quanto as minhas conquistas não são para pessoas como eu: uma possível farsa, que se interessa por tudo, não se aprofunda em nada, fala de tudo não entende nada, ajuda a todos e pensa em se jogar no mar. Mas como a maré sempre muda, daqui a pouco essa minha ressaca passa.
Há um ano atras pensei que estaria tudo diferente, hoje eu tenho que apertar o cinto de segurança, porque o meu voo ta turbulento. Parece que a maré não ta pra brincadeira, perdeu seus cabelos, e ta puxando meu pé; mas "quem vem com tudo não cansa". Só peço ajuda a Deus, Nossa Senhora e São Jorge. Minha mãe Meu pai e aquele que me protege.
Xô, sai pra lá! Se alguém quer me ver cair, pode ate ver, mas vai me ver também me arrastando, porque eu não vou parar. Se alguém quer me ver mal, pode ate ver minhas lágrimas, mas também vai ver eu sorrindo. Eu tenho força para levantar, eu tenho quem me levante, eu tenho tantas coisas, que merecendo ou não, eu consegui... e não vou deixar de seguir meu caminho.
No meu peito, sem a medalha. No meu peito, sem ir em um local algum. No meu peito, agradecendo em casa, em todo meu ser. No meu peito, e na força que reside em mim. Eu tenho um santo guerreiro, que ta comigo nas batalhas, nas alegrias e conquistas da vida.
Eu tenho muito pra chorar, realmente as coisas não estão fáceis. Mas há um ano eu não sabia o que era crescer e ser mulher. Ser mulher é ser forte (por mais que lutemos para não ser) e eu sou, do caralho e da buceta. As águas me chacoalham, mas não me deixam afogar. É temporal, e é clarão. Tudo e todos juntos, no dia ruim, e nos seus momentos bons.
Saravá!
Há um ano atras pensei que estaria tudo diferente, hoje eu tenho que apertar o cinto de segurança, porque o meu voo ta turbulento. Parece que a maré não ta pra brincadeira, perdeu seus cabelos, e ta puxando meu pé; mas "quem vem com tudo não cansa". Só peço ajuda a Deus, Nossa Senhora e São Jorge. Minha mãe Meu pai e aquele que me protege.
Xô, sai pra lá! Se alguém quer me ver cair, pode ate ver, mas vai me ver também me arrastando, porque eu não vou parar. Se alguém quer me ver mal, pode ate ver minhas lágrimas, mas também vai ver eu sorrindo. Eu tenho força para levantar, eu tenho quem me levante, eu tenho tantas coisas, que merecendo ou não, eu consegui... e não vou deixar de seguir meu caminho.
No meu peito, sem a medalha. No meu peito, sem ir em um local algum. No meu peito, agradecendo em casa, em todo meu ser. No meu peito, e na força que reside em mim. Eu tenho um santo guerreiro, que ta comigo nas batalhas, nas alegrias e conquistas da vida.
Eu tenho muito pra chorar, realmente as coisas não estão fáceis. Mas há um ano eu não sabia o que era crescer e ser mulher. Ser mulher é ser forte (por mais que lutemos para não ser) e eu sou, do caralho e da buceta. As águas me chacoalham, mas não me deixam afogar. É temporal, e é clarão. Tudo e todos juntos, no dia ruim, e nos seus momentos bons.
Saravá!
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Changes (I'm going through changes)
Crescer é um processo, com temporais de saudade que te encharcam de melancolia. Crescer é dar tragos e tomar pileques, compreendendo o que antes era incompreendido. Crescer é florescer, mas primeiro você perde todas as suas folhas, e faz frio. É um inverno que temos, por designo divino talvez, que passar sozinhos, mesmo em meio a multidões.
Mas eu quero falar da saudade, e faz dez anos que eu a sinto com picos de intensidade. Estranho fazer coisas que a outra nunca saberá... E tanta coisa mudou, eu tanto mudei e me mudei. Virei meio mundo e fui virada pelos meus próprios passos. Planejo fazer coisas que vão muito além dos sonhos que tinha há 10 anos, mas ao mesmo tempo, eles passaram a ser tão restritos...
Acho que a cor do adulto é marrom, mas me recuso a vestir essa roupa... fico péssima. Talvez um pretinho básico, com dias de roupa pink e cintilante.
Mas ainda falando da saudade... sinto falta do contato diário da minha rotina, e de todo o local confortável no qual eu cresci, e me reconheci como parte... é estranho crescer mesmo já sendo crescida. Estranho passar por mudanças e saber que o outro também se transforma. E pensar que em algum dia você pode tocar a campainha... e tudo estar diferente.
Um passo que eu dou e nada mais está no lugar, mas pra qual direção as mudanças caminham? será uma linha contínua ou dialética? Será que eu tenho retrocessos e meio aos avanços?
Eu que sempre gostei de agito, to com medo de ser liquidificada! Não quero cair em redemoinhos, mesmo sabendo que o certo é sair nadando pelo lado... Mas e se a vida realmente for um salto no escuro? Ai, eu me jogo, sou obrigada. Detesto comodismos!
Crescer me da medo, mudar é difícil. Mas o novo sempre vem. A primavera floresce, e o verão sempre chega: quente, sensual, suado, fadigado e ao mesmo tempo cheio de disposição. Com temporais de saudade, sim, é isso mesmo. Mas as vezes é chuva de verão, trovoa, alaga, da medo, o céu fica cinza, mas depois o Sol vem. Não podemos desesperar... ate porque no final das contas o que queremos é a marquinha do biquíni e beber uma cerveja gelada.
Eu vou deixa o mar bater, o vento me bagunçar! Vou pra cima, pra batalha (junto aos meus), pras mudanças, pra vida.... mesmo sendo isso tudo, essa confusão, esse jogo de sorte (e nem tanta sorte assim).
Mas eu quero falar da saudade, e faz dez anos que eu a sinto com picos de intensidade. Estranho fazer coisas que a outra nunca saberá... E tanta coisa mudou, eu tanto mudei e me mudei. Virei meio mundo e fui virada pelos meus próprios passos. Planejo fazer coisas que vão muito além dos sonhos que tinha há 10 anos, mas ao mesmo tempo, eles passaram a ser tão restritos...
Acho que a cor do adulto é marrom, mas me recuso a vestir essa roupa... fico péssima. Talvez um pretinho básico, com dias de roupa pink e cintilante.
Mas ainda falando da saudade... sinto falta do contato diário da minha rotina, e de todo o local confortável no qual eu cresci, e me reconheci como parte... é estranho crescer mesmo já sendo crescida. Estranho passar por mudanças e saber que o outro também se transforma. E pensar que em algum dia você pode tocar a campainha... e tudo estar diferente.
Um passo que eu dou e nada mais está no lugar, mas pra qual direção as mudanças caminham? será uma linha contínua ou dialética? Será que eu tenho retrocessos e meio aos avanços?
Eu que sempre gostei de agito, to com medo de ser liquidificada! Não quero cair em redemoinhos, mesmo sabendo que o certo é sair nadando pelo lado... Mas e se a vida realmente for um salto no escuro? Ai, eu me jogo, sou obrigada. Detesto comodismos!
Crescer me da medo, mudar é difícil. Mas o novo sempre vem. A primavera floresce, e o verão sempre chega: quente, sensual, suado, fadigado e ao mesmo tempo cheio de disposição. Com temporais de saudade, sim, é isso mesmo. Mas as vezes é chuva de verão, trovoa, alaga, da medo, o céu fica cinza, mas depois o Sol vem. Não podemos desesperar... ate porque no final das contas o que queremos é a marquinha do biquíni e beber uma cerveja gelada.
Eu vou deixa o mar bater, o vento me bagunçar! Vou pra cima, pra batalha (junto aos meus), pras mudanças, pra vida.... mesmo sendo isso tudo, essa confusão, esse jogo de sorte (e nem tanta sorte assim).
segunda-feira, 11 de junho de 2018
my valentine
Pensar na pessoa que se
ama é como querer ficar a beira d’água esperando que o riacho, alguma hora,
esbarre de correr. (Eu que não sei quase nada do mar. Maria Bethânia)
Eu sei que a esta hora, a
exatamente meia-noite e vinte e oito minutos, do dia onze de junho, eu deveria
estudar, ou dormir. Amanha eu trabalho, e vou ficar bem mal, cheia de sono… e
ainda vou querer te ver, e talvez ir dormir com você. Mas to aqui, tocada com a
vida e os sentimentos, estou aqui nesse teclado horrível que ainda não me
acostumei, ouvindo Maria Bethânia.
Acho que essa primeira parte eu deveria cortar desse escrito. Afinal, esse escrito deveria ser uma das mil declarações em forma de texto que eu dedico a você. E não fica bonito toda essa minha ladainha, ate porque eu não sou nenhuma Clarice Lispector, ou Machado de Assis, ou Vinícius de Morais, pra ficar nessa de papo furado, de conversa do autor, ou da personagem, com a própria história. Mas sei la, talvez eu seja um pouco eles, ou influenciada por eles… nos meus sentimentos profundos, melosos e intensos. Acho mesmo que eu queria era fazer literatura e escrever livros e poemas de amor.
Eu gosto de mudanças,
transformações, coisas saltitantes, coloridas e felizes, você sabe, né? Acho
que dos meus encontros da vida, você é quem mais me entende, ou mais me
conhece, ou mais me completa. Nossa conexão é diferente, ou pode ser igual,
igual a tudo que os livros e canções chamam de amor. Será que amar é isso? Essa
coisa tão indescritível que te deixa meio idiota e ao mesmo tempo tão seguro. E
inseguro, mas tranquilo.
Eu sei que falo muitas
coisas, mas as vezes eu não sei o que dizer. Não sou tão corajosa quanto pareço
ser, acho que metade é blefe, e a outra é a necessidade de seguir em frente.
Mas já me livrei de alguns fardos, como o de querer dar respostas as coisas, ou
achar que posso mudar tudo, ate as coisas que não dependem de mim. Isso é
maturidade, tenho pensado. Mas também é um pouco de agonia. Ainda sou bastante
ansiosa, e as vezes tenho certeza que eu deveria cuidar disso. Eu já te contei
de uma época difícil, de muita ansiedade e pânico. E também já te contei o
quanto de medo eu tenho de que esses momentos voltem. Eu sou uma covarde na
verdade, não consigo enfrentar algumas coisas, ou pedir ajuda. Mas metade é
necessidade de seguir em frente e a outra metade é blefe. E com isso me sinto
um pouco foda! Seguir em frente também é coragem, acabei de entender isso. Sim,
porque não seria?
Escrever tudo isso me fez
chorar. Mas não era essa a intenção, e nem te comover. A intenção era de fazer
um belo texto do dia dos namorados. Daqueles bem elaborados, e assim sim,
dignos de lágrimas. Mas eu não importo de você saber que eu choro, nem de fazer
desse texto um grande desabafo. Nosso toque, no abraço, revela muito mais do
que essas letras nesse fundo branco da página do LibreOffice. Ou uma noite no
motel.
Você é um encontro, de
almas, daqueles que eu achava que não mereceria encontrar. Eu que tão nova já
sofrida, tão nova já causando sofrimento. Eu que tão inexperiente ganhei
experiência, Eu tão sem querer fui ganhando ate o que não queria. E nessa roda
da vida, nessas idas e vindas, encontrando pessoas que fazem conhecer outras
pessoas, em espaços novos com novos rostos. Hoje estou aqui. E lembro a
primeira vez que te vi, e como nunca imaginei. Mas te vi, reparei seu sorriso.
Também lembro quando eu não acreditei que você tava me querendo, de como achei
estranho você me paquerando no olhar, no Pier 2000, eu suja de neon e dor de
ouvido. E também me lembro de como eu me interessei por você e nunca mais quis largar.
O ultimo paragrafo me reservo. Não parece, mas gosto de intimidade.
[ana carolina ~~]
segunda-feira, 12 de março de 2018
Primeiro trimestre
Quando eu tô triste eu gosto de escrever, e escrever.... como se escrever não gastasse tempo, como se escrever não me desse cansaço... como se... e é.
É como quando estouramos uma bola cheia de água, e a água diante ao susto se espalha e se liberta. É como se mesmo que eu não conseguisse entender eu entendesse.
Quando eu tô triste eu me aproveito para escrever, como se esse meu rompante sentimental fosse natural, fluido e constante... e é.
É como a volta da respiração de quem estava se afogando. É como fazer amor fingindo falar que é só sexo mesmo sendo.
Quando eu tô triste... Eu tô triste. Eu tô triste? Ou só quero escrever para esquecer ou me distrair?
A rotina torturante, os amores angustiantes, os amores amantes, os amores casantes, os amores .... amor pela vida, pelos caminhos... que as vezes não são retos como as linhas do caderno. E talvez por isso eu escreva e escreva e escreva pra desafogar o coração afogando as palavras.
[ana carolina~~]
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
tempo presente
Nesse dia quente, chuvoso e cinza, eu queria ter um boa câmera para fotografar o morro São João. Eu queria poder fotografar o enquadramento perfeito que os meus olhos, com a ajuda dos óculos, fazem diante da vida... as cores fortes da flor do meu quintal, da fiação que corta o céu, das gotas de chuvas remanescentes nas folhas do pinheiro. Queria fotografar a silhueta das montanhas, de como, de forma tão delicada as nuvens se movimentam e se dissolvem; mostrar as paletas de cores que se pintam quando olho para o horizonte.
Queria registrar o dia de hoje, quando abri a janela do segundo andar, e dei de cara com o dia, com a chuva, com o vento fresco que me tocava, com as pessoas que passavam de bicicleta... eu não as conheço, mas me são ta familiar. Queria registrar minha história no bairro onde cresci, os olhos que sempre vejo, o sofá que me deito e me deitei para pensar, para sonhar, para ler, para me esquecer.
Ainda, nessa tarde abafada, quando a chuva acabou e o céu ainda não descobriu a sua cor, eu fico me perguntando quando olho da janela, para a avenida, se eu sentirei saudades... e eu sei que sentirei. Mais uma vez eu queria ter uma câmera, de alta definição, para poder registrar o que vejo de segunda a sexta.... talvez não só a paisagem, não to somente o tráfego de veículos, pessoas e bicicletas. Queria fotografar o amor que eu sinto pelas pessoas que fazem parte desse momento e desse lugar. E talvez quando revelasse essa fotografia, o que se veria tons de rosado, alaranjado, avermelhado... como talvez será o entardecer, quando eu abrir a janela, no dia da revolução.
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