quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Retrato

 Essa sou eu no fim do túnel, no fim da noite, da festa, do poço. No espelho d'agua eu vejo o meu reflexo, despida. No chão minhas cinzas de carnaval, abençoando o novo ciclo, feita das folhas de outrora. 

Essa sou eu, filha desse ciclo religioso, não espiritual. Com todas minhas carnes, marcas, manchas e reflexoes. Procuro a todo instante juntar o meus pensamentos, como um quebra cabeça sem sentido. 

Essa sou eu deitada na cama. Vomitando palavras nao ditas, impedidas pelo silêncio. Cansada, jogada e sem energia. Fazendo uma viagem literária, em tempos e lugares nunca vistos pelos meus olhos. 

Essa sou eu com a imaginação solta, que voa, por todas as cores e formas. Esperando ansiosa a aurora, o fim da noite, o inicio do dia. Aguardando a luz que ilumina os novos caminhos, feitos por nossas proprias mãos.   

Essa sou eu fazendo o que deve ser feito, todos os dias as mesmas missões. Espiã dos fatos noticiados nos jornais. Da mesmice do dia a dia á deselegancia da vida como ela é. Caminho pedalando, atenta. 

Essa sou eu digerindo a rotina, que se arrasta na pandemia. 

[Ana carolina _ pandemica 



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A vida é pra valer, a vida é pra levar

 "Para viver um grande amor", um dia Vinícius de Moraes escreveu esse texto, que amo. E eu sempre apaixonada, lia e relia, decifrando o que ele trazia em sua linhas, descobrindo de acordo com o tempo o sentido sensível daquelas palavras. Na contagem dos versos, eu declamava seus sonetos, imaginando os perigos de um dia de lua cheia, e eu, musa sempre inspiradora, desfilaria por ai deixando meu rastro, cheiro e suor. 

Na arte do encontro, com os meus muitos desencontros, fui trilhando meu caminho romântico, fantasioso e fatal. Nem as vezes certas, muitas vezes errada, infantil e jovem, com meus lindos vinte e pouco peitinhos - que continuam no agito! E das certezas que carrego, e não sei se são certas, mas que também não descarto, mas que tenho dúvidas... e quem é que hoje em dia sabe distinguir uma verdade de uma fake news?

É só um garoto, falaram sobre o menino Ney. Sobre mim, falam que eu tenho que ser mãe. 

Desafios da década de 2 do século xx1. 

Voltando e continuando, nessa encruzilhada verbal de pensamentos rápidos - e olhadas no IG- posso dizer que faltou ao Poetinha escrever uma frase "Para viver um grande amor tem que ser artista", e ai, eu, sua parceira literária intertemporal e interdimensional, completaria: "E ter talento!". 

Muito talento! 

Vinicius, velho, saravá!

[ana carolina ~~ pandemico e cansado ~~

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Fim de festa.

Cultivar gratidão é um exercício a ser praticado - no final do ano principalmente.
Xingar também. 
Bolsonaro filho da puta!

[ana carolina ~pandêmico 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Resumo da semana

 Ansiedade, lagrimas e corrida. 
Corre de lá, vai pra cá. Segura firme.
Uma partida, várias cachaças. 
Faz amor. Faz sexo. 
Qualquer coisa que não tem nome. Nem sentido.
Voltando as raízes. Sete semanas.
Eu chegarei onde eu tiver que chegar. 
Axé

[ana carolina ~~ pandêmico - o novo normal

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

O mundo das opressões

É difícil traduzir os nossos sentimentos, mesmo que na nossa boca seja doçura. É muito difícil expressar tudo que nos corrói, nem tudo se resolve com letras, faladas. Eu tenho uma série de curiosidades que as pessoas não veem. Alguns já viram, acompanharam, de perto, de dentro. Eu também as olhei fundo, profundamente, sei onde mora a sua dor, o seu pedido de perdão. As garras que marcam no teu corpo, rastro que deixo em seus lenções, o cheiro que fica em seus dedos... você ainda não me conhece, não teria como conhecer, você não conhece a minha morada. 
Não sabe que de tão doce a boca queima. Ela arde. Do meu tesão você desconhece, do meu desejo você se engasgaria e cuspiria. 
É impossível soletrar minhas feridas. na sintaxe elas não se encaixam, não é sujeito, não é objeto. É verbo intransigente, indialogável, inexiste na língua dos homens. Você não sabe dos meus gostos, dos efeitos da lua sobre meu ventre. Você não sabe dos que me antecederam, das marcas que carrego.
Você me toma como se eu fosse água. E eu mato a tua sede. A sua sede somente eu mato. Mas você ainda não me conhece.
 Não posso te dizer quem eu sou porque eu não consigo me pronunciar. Meu buraco é mais embaixo. Minha armadura é forte. Sou uma guerreira. Você não vai me entender.

[ana carolina ~~ pandêmico II - vivendo no caos

quarta-feira, 24 de junho de 2020

"Emoção sempre para derramar"

Saudades daquilo do que eu não gostava, mas sem romantismos, não vivemos tempos românticos, vivemos em tempos de explosão. Da destruição que constrói o novo, das pedras que rolam, que se separam, que choram em grãos de areia.
 O novo sempre vem. Nunca pedindo licença para passar, ele alaga os limites, como o rio nos seus dias de enchente. Arrebenta bordas, limpa avenidas, leva a morro abaixo os galhos e folhas secas.
Tempos de transformação são tempos de reclusão, de observar o avesso, de redescobertas. Ontem caminhando na rua, observei as cores, as folhas verdes no contraste do céu azul. As faixadas das casas, os portões, o cavalo a espiar no final do quintal.
Hoje eu senti o vento no meu rosto, andando com o calor do sol na minha pele. São tempos românticos, de juntar os cacos e se reconstruir sobre uma nova forma, de alinhavar os grandes retalhos antes desconexos. A agulha machuca o tecido e lhe apresenta o seu preenchimento, o seu remédio, a sua nova forma.
O poetinha dizia que o amor só é bom se doer, eu como amante das emoções mais ardentes, acostumada a sentir o salgado das lágrimas, cada vez mais me retorno ao ardor de viver. Ao tesão da descoberta.
Tempos de transformação são tempos de exposição, se colocar na berlinda sem medo. Apresentar-se ao mundo como quando se nasce e recebe as boas vindas. Ontem quando andava pela rua, me observava pelos reflexos das vitrines, das janelas, dos carros. Olhei fixamente nos olhos dos que passavam por mim, escolhi uma cor vermelha.

 O verbo da transformação é conjugado no tempo presente. Nos dias que nos sentimos pequeninas, como os de hoje.

[ana carolina ~ pandemia

domingo, 24 de maio de 2020

Pandêmico

Despertar ainda com sono, olho o relógio, 9h da manha. Fecho os olhos, quero dormir mais 30 minutinhos, ok, faço um checklist das tarefas que quero executar (meus projetos e objetivos). Não existem 30 minutinhos, vou levantar e agitar tudo até poder sentar e me realizar. 
Na sequencia: lavar rosto, vitamina, pão, café, yoga, respira, respira, "o que vamos comer hoje? Não vou pensar nisso agora.", cuida do amor, descasca inhame, cenoura, tempera carne, corre, faz mais exercícios, cuidar do corpo é bom porque é importante (nota mental: pensar mais sobre isso, ok carolina?!) e... já cozinhou os legumes?, tomar banho e almoçar, lavar a louça,  tem pano de prato de molho pra lavar, limpo o fogão, postergo, uso das ervas sagradas, chão ta sujo, passa pano, água sanitária, xô corona,vou fazer xixi vejo mais uma coisa fora do lugar, coloco no lugar, fazer xixi, tem que trocar o saco da lixeira do banheiro, esqueci de colocar o saco na lixeira da pia da cozinha. Senta no sofá... agora vai, olho para as mãos, unha feia tem que pintar (anotações para mais tarde), olho pro celular, já são 16h. Dar atenção amorosa, familiar, chorar de saudades, ler as noticias, vai ter golpe? Quero matar, quero morrer, reviso mentalmente se tenho alguma tarefa da militância para fazer, falta tesão, sobra ódio. Sento no computador, já são quase 17h, estou com fome, como frutinhas que mozão descascou, tem que pensar no que jantar, não sobrou do almoço. Foda-se, vou comer pizza.
Estou cansada. Minha mãe fala temos que ser fortes, porque mulher é forte. O feminismo marxista me falou que as mulheres operam na reprodução do trabalho, e que a nossa luta não é apenas dividir tarefas mas socializa-las. 
Eu digo que estou de saco cheio. Vou escrever. 

Vai tomar no cu sociedade patriarcal sexista do caralho!

[ana carolina ~~ "teoria e pratica" e quarentena