domingo, 12 de setembro de 2021

O velho de partida

 Se a vida é movimento, eu não vim pra ficar parada. Inerte. Estou parindo o novo que me vira ao avesso. Por que temer? Saber do futuro nunca saberei, nele eu ainda não sou e nem tenho porque ser. Gestar a libertação e não a prisão ao passado, dele eu nada mais serei, nele eu ja fui. Tomo do desconhecido a minha coragem. Dos órgãos que aqui pulsam e bombeiam sangue eu seguro a certeza. Eu seguirei, em outros trajes, o meu trajeto. Do novo que germina, do eu que transforma. Tenho medo, mas quem nao tem? 


Ana carolina ~~

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Um mês depois

 o meu destino é uma imprecisão, como quando o caos se estabelece e se derrama pelas janelas.
 Nenhum encontro é em vão, quando a primeira peça cai

e arrasta as outras, como em um dominó




"Alguma coisa aconteceu, do ventre nasce um novo coração"

Teria na caderneta, no bloco de notas, no meu grupo solo do whatsapp e talvez nesse blog inúmeros textos. Dignos de todos os likes, por ultrapassar a densidade dos dias e me extrapolar por inteira. Mas eu, sempre reservada, sempre explicita, guardei tudo talhado na minha memória. É que eu estou esperando virar a chave, e como pisar em falso, tudo mudar. Sem despedidas e sem sentimentos. Sem saudades e sem melancolia. Até lá vou amargando as lembranças e as palavras, na minha boca de cica. Pensando em tudo que não deu pra ser, por toda inconsequência perdida no caminhos e nos excessos tão deleitados. No último trago. Forço a chave para que ela vire, será que isso é gestar? Ou parir? Quero quebrar a chave e girar porra nenhuma. Mas mesmo eternamente a porta impedida de abrir, a minha casa já é outra. Virei morada, invadida, ocupada, atravessada, violentada. Todas as mãos passam por mim, todas as vozes e opiniões, ecoam chatíssimas sobre o meu corpo. Descarto chaveiros ou passaportes do patriarcado, sigo insubmissa. Porém continuo morada, de algo que vai me transbordar, sair das minhas entranhas e seguir seus próprios passos e caminhos. E eu, ainda desconhecida por mim, tenho também trilhas a subir, desejos a arder. Só que eu ainda não sei, nunca provisionei esse futuro. Como uma galinha paciente, estou chocando o que serei amanha. Chocada. 

[ana carolina ~~ 

sexta-feira, 12 de março de 2021

intermináveis

Se eu tivesse cabelos longos e negros Talvez eu merecesse  Um motel Um passeio nas barcas Uma cerveja gelada Um galanteio qualquer

Se eu fosse a novidade 

Dos "as vezes" e dos "talvez" 

Quem sabe não faríamos as coisas

Que eu não quero saber

E nem quero imaginar


[2015~~~ana carolina ~~~pequenas modificações para ser menos deprimente

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Retrato

 Essa sou eu no fim do túnel, no fim da noite, da festa, do poço. No espelho d'agua eu vejo o meu reflexo, despida. No chão minhas cinzas de carnaval, abençoando o novo ciclo, feita das folhas de outrora. 

Essa sou eu, filha desse ciclo religioso, não espiritual. Com todas minhas carnes, marcas, manchas e reflexoes. Procuro a todo instante juntar o meus pensamentos, como um quebra cabeça sem sentido. 

Essa sou eu deitada na cama. Vomitando palavras nao ditas, impedidas pelo silêncio. Cansada, jogada e sem energia. Fazendo uma viagem literária, em tempos e lugares nunca vistos pelos meus olhos. 

Essa sou eu com a imaginação solta, que voa, por todas as cores e formas. Esperando ansiosa a aurora, o fim da noite, o inicio do dia. Aguardando a luz que ilumina os novos caminhos, feitos por nossas proprias mãos.   

Essa sou eu fazendo o que deve ser feito, todos os dias as mesmas missões. Espiã dos fatos noticiados nos jornais. Da mesmice do dia a dia á deselegancia da vida como ela é. Caminho pedalando, atenta. 

Essa sou eu digerindo a rotina, que se arrasta na pandemia. 

[Ana carolina _ pandemica 



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

A vida é pra valer, a vida é pra levar

 "Para viver um grande amor", um dia Vinícius de Moraes escreveu esse texto, que amo. E eu sempre apaixonada, lia e relia, decifrando o que ele trazia em sua linhas, descobrindo de acordo com o tempo o sentido sensível daquelas palavras. Na contagem dos versos, eu declamava seus sonetos, imaginando os perigos de um dia de lua cheia, e eu, musa sempre inspiradora, desfilaria por ai deixando meu rastro, cheiro e suor. 

Na arte do encontro, com os meus muitos desencontros, fui trilhando meu caminho romântico, fantasioso e fatal. Nem as vezes certas, muitas vezes errada, infantil e jovem, com meus lindos vinte e pouco peitinhos - que continuam no agito! E das certezas que carrego, e não sei se são certas, mas que também não descarto, mas que tenho dúvidas... e quem é que hoje em dia sabe distinguir uma verdade de uma fake news?

É só um garoto, falaram sobre o menino Ney. Sobre mim, falam que eu tenho que ser mãe. 

Desafios da década de 2 do século xx1. 

Voltando e continuando, nessa encruzilhada verbal de pensamentos rápidos - e olhadas no IG- posso dizer que faltou ao Poetinha escrever uma frase "Para viver um grande amor tem que ser artista", e ai, eu, sua parceira literária intertemporal e interdimensional, completaria: "E ter talento!". 

Muito talento! 

Vinicius, velho, saravá!

[ana carolina ~~ pandemico e cansado ~~

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

Fim de festa.

Cultivar gratidão é um exercício a ser praticado - no final do ano principalmente.
Xingar também. 
Bolsonaro filho da puta!

[ana carolina ~pandêmico