o meu destino é uma imprecisão, como quando o caos se estabelece e se derrama pelas janelas.
Nenhum encontro é em vão, quando a primeira peça cai
e arrasta as outras, como em um dominó
o meu destino é uma imprecisão, como quando o caos se estabelece e se derrama pelas janelas.
Nenhum encontro é em vão, quando a primeira peça cai
e arrasta as outras, como em um dominó
Se eu tivesse cabelos longos e negros Talvez eu merecesse Um motel Um passeio nas barcas Uma cerveja gelada Um galanteio qualquer
Se eu fosse a novidade
Dos "as vezes" e dos "talvez"
Quem sabe não faríamos as coisas
Que eu não quero saber
E nem quero imaginar
Essa sou eu no fim do túnel, no fim da noite, da festa, do poço. No espelho d'agua eu vejo o meu reflexo, despida. No chão minhas cinzas de carnaval, abençoando o novo ciclo, feita das folhas de outrora.
Essa sou eu, filha desse ciclo religioso, não espiritual. Com todas minhas carnes, marcas, manchas e reflexoes. Procuro a todo instante juntar o meus pensamentos, como um quebra cabeça sem sentido.
Essa sou eu deitada na cama. Vomitando palavras nao ditas, impedidas pelo silêncio. Cansada, jogada e sem energia. Fazendo uma viagem literária, em tempos e lugares nunca vistos pelos meus olhos.
Essa sou eu com a imaginação solta, que voa, por todas as cores e formas. Esperando ansiosa a aurora, o fim da noite, o inicio do dia. Aguardando a luz que ilumina os novos caminhos, feitos por nossas proprias mãos.
Essa sou eu fazendo o que deve ser feito, todos os dias as mesmas missões. Espiã dos fatos noticiados nos jornais. Da mesmice do dia a dia á deselegancia da vida como ela é. Caminho pedalando, atenta.
Essa sou eu digerindo a rotina, que se arrasta na pandemia.
[Ana carolina _ pandemica
"Para viver um grande amor", um dia Vinícius de Moraes escreveu esse texto, que amo. E eu sempre apaixonada, lia e relia, decifrando o que ele trazia em sua linhas, descobrindo de acordo com o tempo o sentido sensível daquelas palavras. Na contagem dos versos, eu declamava seus sonetos, imaginando os perigos de um dia de lua cheia, e eu, musa sempre inspiradora, desfilaria por ai deixando meu rastro, cheiro e suor.
Na arte do encontro, com os meus muitos desencontros, fui trilhando meu caminho romântico, fantasioso e fatal. Nem as vezes certas, muitas vezes errada, infantil e jovem, com meus lindos vinte e pouco peitinhos - que continuam no agito! E das certezas que carrego, e não sei se são certas, mas que também não descarto, mas que tenho dúvidas... e quem é que hoje em dia sabe distinguir uma verdade de uma fake news?
É só um garoto, falaram sobre o menino Ney. Sobre mim, falam que eu tenho que ser mãe.
Desafios da década de 2 do século xx1.
Voltando e continuando, nessa encruzilhada verbal de pensamentos rápidos - e olhadas no IG- posso dizer que faltou ao Poetinha escrever uma frase "Para viver um grande amor tem que ser artista", e ai, eu, sua parceira literária intertemporal e interdimensional, completaria: "E ter talento!".
Muito talento!
Vinicius, velho, saravá!
[ana carolina ~~ pandemico e cansado ~~