segunda-feira, 12 de março de 2018

Primeiro trimestre

Quando eu tô triste eu gosto de escrever, e escrever.... como se escrever não gastasse tempo, como se escrever não me desse cansaço... como se... e é.  
É como quando estouramos uma bola cheia de água, e a água diante ao susto se espalha e se liberta. É como se mesmo que eu não conseguisse entender eu entendesse.  
Quando eu tô triste eu me aproveito para escrever, como se esse meu rompante sentimental fosse natural, fluido e constante... e é.  
É como a volta da respiração de quem estava se afogando. É como fazer amor fingindo falar que é só sexo mesmo sendo.  
Quando eu tô triste... Eu tô triste. Eu tô triste? Ou só quero escrever para esquecer ou me distrair? 
A rotina torturante, os amores angustiantes, os amores amantes, os amores casantes, os amores .... amor pela vida, pelos caminhos... que as vezes não são retos como as linhas do caderno. E talvez por isso eu escreva e escreva e escreva pra desafogar o coração afogando as palavras. 

[ana carolina~~] 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

tempo presente

Nesse dia quente, chuvoso e cinza, eu queria ter um boa câmera para fotografar o morro São João. Eu queria poder fotografar o enquadramento perfeito que os meus olhos, com a ajuda dos óculos, fazem diante da vida... as cores fortes da flor do meu quintal, da fiação que corta o céu, das gotas de chuvas remanescentes nas folhas do pinheiro. Queria fotografar a silhueta das montanhas, de como, de forma tão delicada as nuvens se movimentam e se dissolvem; mostrar as paletas de cores que se pintam quando olho para o horizonte. 
Queria registrar o dia de hoje, quando abri a janela do segundo andar, e dei de cara com o dia, com a chuva, com o vento fresco que me tocava, com as pessoas que passavam de bicicleta... eu não as conheço, mas me são ta familiar. Queria registrar minha história no bairro onde cresci,  os olhos que sempre vejo, o sofá que me deito e me deitei para pensar, para sonhar, para ler, para me esquecer.
Ainda, nessa tarde abafada, quando a chuva acabou e o céu ainda não descobriu a sua cor, eu fico me perguntando quando olho da janela, para a avenida, se eu sentirei saudades... e eu sei que sentirei. Mais uma vez eu queria ter uma câmera, de alta definição, para poder registrar o que vejo de segunda a sexta.... talvez não só a paisagem, não to somente o tráfego de veículos, pessoas e bicicletas. Queria fotografar o amor que eu sinto pelas pessoas que fazem parte desse momento e desse lugar. E talvez quando revelasse essa fotografia, o que se veria tons de rosado, alaranjado, avermelhado... como talvez será o entardecer, quando eu abrir a janela, no dia da revolução. 


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Canto da sereia ( e as águas do amor).

A vida é uma grande caminhada, como insiste dizer os mais velhos. Ou é como uma ponte com um rio embaixo, como dizia o meu pai. Até hoje, diante das intensas reflexões, eu ainda não sei, e talvez nunca saberei, como a vida é... se ela é predestinada, desavisada, uma aventura, ou simplesmente, como eu gosto de dizer, uma loucura! Eu só sei que eu gosto de descrever meus momentos como se ela fosse um mar, que me afoga, que me salva, que me joga para a areia, que me limpa, purifica e sufoca. 
Mas hoje eu não quero falar de mar, ou falar da vida e suas razões desconhecidas. Hoje quero falar de você, mesmo não sabendo escolher as palavras, ou cometendo o erro de já ter dito todas, e assim, ser repetitiva. Quero falar do formato dos seus olhos, não, mais do que isso! Quero falar do seu olhar, que me acertou, como flecha. Quero falar da profundidade que esse olhar me causa, da imensidão que ele transborda, dos seus mistérios e sedução. Olhar de sereia que me encanta, que canta, que me leva para as profundezas de você.  
Mas não pense que eu sou mais uma apaixonada, das outras tantas que você já encantou. Eu não sei nadar mas não me afogo, eu não sei prender respiração mas mergulho. Eu transito sobre os mais profundos desconhecidos e não tenho medo das surpresas, das descobertas, do desconhecido. Mas isso não importa... não hoje, não agora. Eu quero falar de você, do seu sorriso! Na primeira vez que eu o percebi, do seu encanto que desde de então me ilumina, como quando os raios do sol tocam as águas e faz da natureza um dos mistérios mais lindos. Quero falar dos seus braços, seu corpo, seu sexo, seus cachos, seus lábios, seu cheiro, seu toque.... Quero falar do seu toque, que me faz sentir, que me faz arrepiar, que me faz... como quando a correnteza fria passa entre minhas coxa. Quero falar do seu toque no meu corpo, a minha cabeça no seu peito, de como é me sentir no seu abraço... mas não existem palavras para dizer tudo  o que eu quero, assim como, para esse texto, não existe fim. 
 Queria conseguir falar de você, para você, nesse dia simbólico. Queria ter as respostas da vida, e te contar.  
Mas não consigo, ou não sei.  
Ou não quero.  
Ou não vou.  
Ou vou.  
Talvez eu consiga te dizer, em umas das nossas noites nas quais gosto de desafiar o sono com a conversa, com os sorrisos e os beijos ardidos. Talvez eu termine esse texto, e te entregue. Talvez eu nunca termine e guarde só para mim. Porque eu sei que o meu olhar, que também vem do mar, consegue traduzir os meus sentimentos, que meus carinhos se comunicam com os seus, e que o meu caminho, que não sei até que ponto, se entrelaça no seu. E eu tenho essa certeza, mesmo insegura. 
 No mais, eu não sei, deixa o tempo correr, as águas dos rios caminhar.   E por eu não saber tudo, como diz o poema de Manoel Barros, isso passa a explicar o resto.  

[ana carolina~]

quinta-feira, 22 de junho de 2017

1/4 de década.

A vida é um sopro... num estalar de dedos (tlac)... e tudo muda. Você nunca saberá quando foi o começo, ou quando é o fim, simplesmente em um passo, você não estará no mesmo lugar. E é preciso recomeçar, e é preciso redescobri-se, é preciso aceitar e ir.
É um emaranhado de nada e tudo ao mesmo tempo. É como estar dias flutuando pelos ares, e de maneira perigosa ser jogada no chão... nessa hora, minha amiga, grude seus pés no solo, crie uma raiz forte o suficiente para aguentar a forte chuva, para aguentar passar o furacão... e depois se veja destroçar pelos meteoros da transformação, e transforme-se.
Não precisa ter medo, mas se tiver, chore. Chore, chore, como um recém nascido, joga pra fora toda a dor de renascer, mesmo não morrendo. Viva esse instante tortuoso, sinta-o, entenda, volte-se para dentro, mas floresça. Temos que florescer, re sentir o sol, fazer nossa fotossíntese, e deixarmos sermos apreciados pelos outros. Os outros podem no futuro te machucar, assim como você já machucou alguns. Mas os outros, eles, aqueles, são na verdade nós, eu, você, tu. E nós somos contraditórios, e erramos, e acertamos, e vivemos nessa vida que é única.
A vida é como um sopro, rápida como um pisca-pisca. E por isso é bela, é intensa, é múltipla, é individual, é coletiva. é. sempre no presente, sempre no agora. HOJE
Eu de cinzas, virarei fênix.

[ana carolina~]

segunda-feira, 3 de abril de 2017

tcc felling

no futuro, o nada
no presente, o tudo
tudo em uma tromba d'água
 ou numa avalanche
que soterra e me afoga
no enorme
e interminável
mal estar.


sábado, 1 de abril de 2017

Não mendigarás

Querido diário, hoje o dia não amanheceu ensolarado... são os dias de outono: cinzas, nublados, sem flores ou cor. Eu dormi tarde e acordei bem cedo, a ansiedade me habita, como um monstro que faz do meu coração sua cama elástica, ou como uma festa de adolescentes inconsequentes, dentro do meu estômago. Não entendo muito bem qual foi a folha que caiu que desestruturou meu mundo, que tirou os planetas da órbita... que me jogou de volta no chão da realidade....

Querido diário, ontem o dia me fez lembrar das minhas caminhadas, das minhas inseguranças e de o quanto a vida pode ser surpreendente; de como, em um giro da Terra, as coisas se modificam.Ainda tenho a certeza que nada acabou, mas me relembrei que tenho que apertar meu cinto de segurança, porque a minha viagem é e sempre foi turbulenta... Mas se hoje eu me resguardo é porque amanha eu vou voar!

Querido diário, as vezes eu sinto que eu to ficando louca, e que nada nessa vida faz sentido... de que tudo são pequenos refúgios que nos levam para matrix. Mas eu sou forte, sempre fui, nunca enlouqueci... mas sempre bebi muito, todos os dias. E a fumaça tóxica, nesses dias que chove, deixa a minha tristeza poética - ou menos patética. Não sei mais o que estou falando, só quero viver em paz...

Querido diário, nesses dias de merda, es o que nunca posso esquecer: o meu único mandamento, que aprendi a custo de muita porrada na vida... Não mendigarás! 

ana carolina~~

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Onde deságua o mar?

Onde deságua o mar? Nas letras e palavras, nas notas e canções, nos braços e abraços... de quem? O vento está forte, a maré revolta e eu só tenho minhas raízes para me sustentar. Meu corpo e cabelos voam, quebram, se deterioram. Mas eu ainda estou firme no chão.
Onde deságua o mar? Pra onde ele vai quando está cansado, triste e sozinho? A maré abaixa e o sol fica forte, só tenho um pouco de água para me molhar. Queimo minha pele, seco, enrugo, murcho. Mais eu ainda estou firme no chão.
Onde deságua o mar? O rio corre, se faz cachoeira, se faz rio, banha e refresca, corre por curvas e retas e deságua o mar... Quando solitários sentamos, desaguamos no mar. Nos acidentes e nos pedidos, é ano novo, é dia de santo, desaguamos no mar.
E onde deságua o mar quando o fardo da vida fica pesado? Quando só se precisa pegar folego para continuar andando? Pra onde vai as suas lágrimas, e as lágrimas do mundo? Pra onde vai? Pra onde poderia ir? Quem quer suportar a sua dor?

Peito aberto, rasgado, dilacerado...

[ana carolina~~]

"na lua triste no céu, meu bem. Triste no mar."